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O Celta, o melhor carro popular do Brasil
08, abril de 2008


Lançado em setembro de 2000, o Celta teve origem no projeto Blue Macaw, ou Arara Azul, e foi criado para ser um carro de R$ 9 mil, ou US$ 9 mil, na época em que a paridade dólar/real era de um para um. O carro mais barato do Brasil na época, o Uno, custava a bagatela de R$ 9,9 mil na versão básica de duas portas e era o alvo que a GM perseguia.

Entretanto, durante o desenvolvimento desse pequeno Chevrolet, o dólar disparou e mudou todo o cenário de preços de automóveis no Brasil. Resultado: ele saiu custando bem mais do que isso, R$ 13.640. O
Uno Mille , por sua vez, já custava R$ 11.240 nessa época e, de qualquer forma, a GM não conseguiu equiparar o Celta ao Uno, em termos de preço.

A partir de 2003 o Celta passa a ter motor VHC, com 70 cv, contra os 60 cv do motor anterior. Em 2004 a GM lançou o Celta Energy, que contava com motor 1,4-litro, bem mais ágil – e bem mais caro – que a versão equipada com motor 1,0-litro, além da versão de quatro portas.

Em agosto de 2004 é a vez de a GM apresentar uma nova nomenclatura para a linha, dividindo-a em três versões: a básica Life, a intermediária Spirit e a top Super. Em 2005 é apresentado o Off-Road, que tem como diferenciais os elementos externos típicos dos fora-de-estrada (estribos, rack etc), embora o carro definitivamente não sirva para isso. Ainda em 2005, no mês de junho, a GM lança o Celta com motor 1.0 Flexpower, flexível em combustível. E dois meses depois, em agosto, chega ao fim o motor 1,0-litro a gasolina.

Em 2006 o Celta sofre sua primeira cirurgia plástica, ganhando uma nova frente, bem parecida com a do então recém-lançado Vectra. A traseira apresenta nova tampa do porta-malas, que abriga a placa, além dos novos pára-choques e lanternas traseiras. Na parte interna, um novo painel, de melhor qualidade, além das forrações redesenhadas, são os destaques. Mas a carroceria é basicamente a mesma do Celtaanterior e não justifica o uso da expressão “Nova Geração”. Aliás, essa síndrome acomete as montadoras nacionais de uma maneira geral, como na linha Gol, Palio etc.

O Celta utiliza elementos conhecidos pelo público, pois a plataforma dele é a mesma do Corsa antigo, lançado em 1993. Assim, ambos empregam o mesmo conjunto mecânico e compartilham várias peças (ver quadro). Tem entre seus atrativos as linhas mais modernas, embora conservadoras (principalmente na traseira), espaço interno adequado, agilidade e economia. E, levando em conta o mercado nacional, é acessível.

Mas o Celta se ressente de suas origens e alguns aspectos desse carro, imaginados e fabricados para um carro bem mais barato, são os pênaltis desse produto. Entre os principais alvos de críticas por parte dos consumidores entrevistados para esta reportagem estão o acabamento espartano demais, com o emprego de plásticos de baixa qualidade, a única lanterna de ré na traseira e o ruído interno elevado, pela falta de revestimentos fono-absorventes em quantidade suficiente.

O volante deslocado para a esquerda, a primeira marcha curta demais, os espelhos externos pequenos e o ponto “cego” existente na coluna traseira também incomodam os donos de Celta, mas são características de produto e não estão ligados ao fato de ser ou não desenhado para ser barato.

Baixa depreciação, bom desconto e seguro barato

Apesar de não ter conseguido se tornar o carro mais barato do mercado, é inegável o sucesso do Celta junto aos consumidores. No ano 2000, com apenas quatro meses de vida, foram vendidas 21.444 unidades. No ano seguinte foram mais de 90 mil unidades e, a partir de 2002, ele entrou no “pelotão de elite” (modelos que superam 100 mil unidades por ano), sempre ficando entre os quatro modelos mais vendidos do mercado. As vendas cresceram mais ainda com a chegada da versão 1.4 em 2003. Em 2006 ele já vendeu 53.589 unidades só no primeiro semestre.

Corretores garantem que seguro do Celta está entre os mais baratos de sua categoria, o que contribui ainda mais para ser um produto atraente para o consumidor.

Outro ponto positivo do Celta é a baixa desvalorização. Com uma depreciação média de 4,9% no primeiro ano de uso, o carro da Chevrolet é o modelo menos depreciado do mercado. Seus concorrentes, como o Palio e o Gol, por exemplo, perdem 5,4% no primeiro ano de uso. O Fiesta, o Clio e o 206 depreciam acima de 6%. Apenas o Mille tem depreciação tão baixa quanto o Celta. O estudo de depreciação é feito mensalmente pela Agência AutoInforme.

Atualmente, o Celta é vendido com desconto médio de 4,9% sobre a tabela, oferecido nas versões de acabamento Life, Spirit e Super. A motorização pode ser 1,0-litro ou 1,4-litro, com duas ou quatro portas, e cada versão de acabamento tem três pacotes de opcionais. Os preços partem de R$ 24.490,00 e vão até R$ 35.990,00.

Antes de comprar

Na hora de adquirir um Celta usado, no caso do motor VHC (lançado em 2003), verifique a existência de um ruído no motor, que em princípio era considerado como a famigerada “batida de pino”. Mas o problema é um pouco mais sério. Segundo Vicente Lourenço, diretor de engenharia de powertrain da General Motors do Brasil, o defeito não é causado pela pré-ignição, mas sim por falhas construtivas nos pistões. “Na verdade temos a suspeita de que existem problemas de tolerância nos pistões, que teriam sido feitos abaixo das especificações; com isso, em determinadas situações, ele ‘bate saia’ e ocorre o ruído metálico”.

Para breve, Lourenço promete que serão feitas modificações para resolver de uma vez o problema dos ruídos. “Estamos trabalhando no projeto de um novo pistão, mais robusto, com parede mais espessa e novo material. Com isso os barulhos sumirão de uma vez por todas”. E a batida de pino? “Nos nossos testes não foram detectados problemas de pré-ignição”, diz Lourenço.

Já segundo Denis Marum, especialista em Chevrolet e proprietário do Chevy Auto Center (SP), devido à alta taxa de compressão, aliada ao uso de gasolina de qualidade duvidosa, existe a formação de depósitos de carvão na cabeça do pistão. “Isso, por sua vez, gera desgastes nos pinos de pistão, pelo aumento da pressão na câmara, além da pré-detonação, ou ‘batida de pino’; geralmente o uso de algum aditivo para gasolina, ou de combustível de melhor qualidade, deve resolver o problema. Mas existem casos em que há a necessidade de abrir o motor”.

Quando isso ocorre, geralmente acontece a troca dos pinos dos pistões, que estavam com problemas de usinagem. Ou dos próprios pistões. “Se, com o motor frio, houver a ocorrência desse ruído metálico, cuidado: pode ser que esse carro necessite passar pela substituição desses componentes”, alerta Denis. “Aí a brincadeira pode sair cara”.

Outro problema que pode ser encontrado no Celta está na junta elástica do escape, que é presa ao motor por parafusos, conectando o sistema de escape ao coletor. Como o coxim do câmbio é muito macio, o deslocamento do conjunto propulsor faz com essa peça se solte com freqüência, gerando um ruído metálico (como um estalo) desagradável na dianteira, principalmente nas arrancadas e retomadas.

Outro problema causado pelos coxins de câmbio muito moles é encontrado no trambulador, pelo movimento excessivo da caixa de câmbio. Como o trambulador também é frágil, apresenta falhas de funcionamento. O primeiro sintoma é o escapar das marchas, mas com o tempo ele pode quebrar e impossibilitar o engate das marchas.

O marcador de combustível, do tipo digital (até 2006), apresenta grande imprecisão em algumas unidades, deixando os respectivos motoristas em maus lençóis. O problema é geralmente do marcador e não do conjunto medidor, aliás o mesmo dos Corsa antigos, de funcionamento comprovado. Não é incomum encontrar alguns modelos nos quais a marcha-lenta apresenta variações, mesmo com o carro quente. Pode ser o caso de uma limpeza dos bicos, mas é necessário verificar cuidadosamente a causa.

Finalmente tenha em mente que o Celta apresenta falhas graves no material empregado na parte interna, além de montagem deficiente. Observe se, no interior do veículo a ser examinado, os plásticos não apresentam riscos ou trincas, principalmente nas laterais de porta e no tampão traseiro, sobre o compartimento de bagagem. A baixa qualidade desses plásticos faz com que se risquem facilmente, além de serem suscetíveis a rachaduras. Boa compra!